Mas… Ah, o mas…
Ele não carrega uma explicação, mas carrega a verdade de tudo aquilo que gostaríamos de falar. Porém, optamos pelo rodeio antes de sentenciar a nossa sinceridade. Além disso, o mas não é opção para quem tem certeza. Isso mesmo: quem sabe o que quer, quem sabe o que deseja, quem sabe o que ama, não vai florear nem deixar um mas que venha contrariar a autenticidade do querer.
Vamos supor que uma banda esteja procurando um baterista. Então, começa a anunciar em suas redes sociais os atributos necessários para o novo integrante. Quando chega o dia do teste, seis candidatos qualificados aparecem.
O primeiro é chamado, começa a tocar e…
“Muito obrigado. Você é muito bom, mas sua forma de tocar não vai se enquadrar no nosso estilo. Valeu pela tentativa. Próximo!”
O segundo chegou com estilo, mas era muito amador. O terceiro era…
“Mas valeu pela tentativa.”
O quarto também não teve sucesso. O quinto tinha sido o melhor até então, mas a sensação de que aquele ainda não era o candidato era grande. Eis que chegou o sexto baterista. Ele entrou quieto, mas com um olhar convicto e feroz, de quem sabe do próprio potencial. E assim foi.
“Uau! Você é incrível. Mais uma música?”
A sintonia do sexto candidato com a banda foi inquestionável.
Até ali, o mas era sempre o aviso prévio da recusa. Um elogio educado seguido de um limite bem traçado. O mas servia para suavizar o não, para poupar o outro da dureza da verdade. Com o sexto, ele simplesmente não existiu. Não porque faltavam palavras, mas porque sobrava certeza. Quando há encaixe, não há ressalva. Quando é, é... sem vírgula, sem desvio, sem mas.
