Tenho afeição
pela delicadeza involuntária
das coisas.
A sombra das árvores mudando de lugar.
O som das páginas virando devagar.
Os pássaros discutindo nos fios elétricos.
O vapor subindo da comida recém-feita.
O cheiro do café atravessando a casa.
O rio seguindo seu caminho sem pressa.
Um sorriso interrompido pela timidez.
O cuidado escondido em certas palavras.
O silêncio confortável entre duas pessoas.
A poesia terna da vida,
quase sempre,
mora nos gestos miúdos.
